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19.07.2010 às 14:24 | Por Adriana Brum
Grávida pode?

Menino ou menina? Diferente­­mente de outras gestantes, essa não é a pergunta que a fonoaudió­­loga Kátia Parreira, 33 anos, mais tem de responder. Aos seis meses da segunda gravidez, é constantemente indagada sobre “e pode?” cada vez que está no ves­­tiário da academia para calçar as sapatilhas de ciclista ou o maiô.

Não só pode como deve fazer os treinamentos, orientou seu médico. “Tenho uma rotina de cinco a seis treinos semanais há oito anos. Parar nove meses seria uma grande perda do condicionamento físico que tenho,”, fala.

Quando engravidou da Ca­­ro­­lina, hoje com 3 anos, manteve essa rotina até as vésperas do parto. “Não senti os inchaços e as dores nas costas comuns na gestação. A recuperação pós-parto foi muito boa. Vinte dias de­­pois da cesariana, voltei a nadar”, conta. Kátia acres­­centa que a prática de natação, ciclismo e corrida lhe deram mais ânimo para cuidar da recém-nascida.

Desta vez, grávida de outra menina, decidiu parar de correr. “Pura prevenção, por causa do impacto”, explica. O ciclismo foi reduzido ao spinning enquanto as braçadas na piscina seguem firmes.

“A qualidade de vida da gestante hoje é muito melhor que a de gerações anteriores porque se prioriza a atividade física. Antes, o exercício era visto como vilão porque desencadeava problemas preexistentes. Mas não era a causa de dificuldades na gestação”, destaca o médico professor da disciplina de Ginecologia e Obs­­tetrícia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Cândido Döring.

O médico explica que exames pré-natais que incluam testes clínicos e ultrassom são suficientes se alguma restrição ao exercício tiver de ser adotada. O que sempre vale é respeitar as mudanças do corpo. Com o crescer da barriga, o centro de gravidade do corpo muda, e aumenta o risco de quedas. “O ganho de peso também dificulta o exercício. A gestante tem de entender que não é hora de desafiar seus limites”, diz.

A fisioterapeuta e coordenadora do curso de Educação Física da Faculdades Integradas Espírita, Gilian Dias Erzinger, entende bem o que Döring quer dizer. Na  gestação de Maria Fernanda, há dois anos, correu até a 17.ª semana, depois seguiu com caminhadas e manteve a musculação enquanto o exercício não era um fardo. 40 dias após o parto normal, retomou as atividades progressivamente. Já na gravidez de Pietra, nascida há oito dias, o corpo pediu descanso bem antes.

“Uma série de fatores resultaram em uma tosse seca e constante que me obrigou a parar os exercícios”, conta. Ganhou mais pe­­so, perdeu massa muscular, sentiu o humor mais instável.

O coordenador médico da Maternidade do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), Eduardo Cordioli lembra as restrições que a mulher terá no decorrer dos nove meses. “A gravidez aumenta o débito cardíaco (o coração gasta mais energia para bombear o sangue), as articulações acumulam mais líquido, ficando mais frágeis. Ainda assim, o exercício é indispensável. Diminui as dores e o desconforto, melhora a autoestima, a recuperação pós-parto”, recomenda.

7 acertos

Gravidez não é sinônimo de ócio. Mas o esporte para grávidas pede cuida­­dos especiais. A seguir, sete dicas para uma prática esportiva saudável:

1 – Grávidas que pretendem come­­çar a correr devem postergar a ideia, por causa do impacto com o solo. A atividade é recomendada a quem já pratica o esporte.

2 – Atividades físicas na água são indicadas, especialmente a hi­­droginástica. Sem impacto e risco de quedas, estimulam os sistemas respiratório e circulatório.

3 – Na corrida de rua, calce tênis que garantam a estabilidade, para evitar quedas ou torções de tornozelo ou joelho.

4 – A gestante tem de se manter muito bem hidratada. Uma forma de dosar a quantidade de água a ingerir nos treinos é pesar-se antes e depois da atividade. A dife­­rença na balança é o referencial do quanto beber.

5 – Esqueça as competições du­­rante a gestação, que podem levar a excesso de esforço. Não pratique esportes de contato físico ou de aventura. Musculação e natação mantém a musculatura firme e evitam dores lombares.

6 – Comunique seu técnico assim que for confirmada a gravidez, para adaptar seus treinamentos.

7 – Faça os exames pedidos pelo médico antes de continuar os treinos. Grávidas hipertensas e diabéticas requerem de atenção redobrada.

Fontes: Acog (Congresso Americano de Obstetrícia e Ginicologia); Eduardo Cordioli, médico obstetra e ginecologista; Cândido Döring, médico obstetra e ginecologista.

Fonte: Gazeta do Povo
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